Uma fantasia de controlo

Um aspecto interessante na História ( moderna) das drogas, porventura  menos captado pelos não iniciados, é percurso paralelo da história do controlo com a do descontrolo, percurso esse visível ( mas não iniciado)  a  partir da Single Convention de 1961.

 

O Opium  Protocol de 1953 foi o corolário do poder norte-americano sob a batuta do FBN de  Aslinger. Simplificando, mesmo com duas guerras pelo meio desde o Tratado de Haia de 1912, os americanos conseguiram um acordo sobre a regulamentação. Charles Vaille, antigo partisan anti-nazi, farmacêutico,  chefe informal do CND ( Comission on Narcotic Drugs)  da ONU conseguiu o controlo da quantidade de ópio produzido, consumido e armazenado   nos vários Estados signatários. Conseguiu também  a autoridade para fazer inspecções e decretar embargos.  A estabilidade dos preços foi a consequência natural do ilusório monopólio. Aslinger , por sua vez, obteve a ( também ilusória, claro) exclusividade da produção e comércio de ópio apenas para fins medicinais  e científicos.

Como seria de esperar, muitos do Estados produtores, signatários do acordo ou não, furaram os limites de produção e armazenamento e com ganhos consideráveis. A Turquia e o sudeste asiático ( Vietname, laos, Burma e Tailândia) marimbaram-se para regulamentação. Estes últimos , na década seguinte , encarregaram-se, como sabemos,  de provar a inutilidade do protocolo. Também de fora ficaram de fora os produtores sul-americanos de coca, totalmente desprezados pelos teóricos;  anos mais tarde , à sua maneira, e aplicando algumas das filosofias de controlo de preços e regras de produção, também  estlihaçaram os projectos  de Vaille e Aslinger.

 

Em1961 a Single Convention foi uma fantasia... real. Ou seja, o aperfeiçoamento do controlo internacional dos narcóticos, possível  nas condições geopolíticas do pós II Guerra ( mesmo com muitos buracos) e motorizado em 1953, culminou na reunião de Nova Iorque. Culminou é o termo exacto. Foi um documento assinado para um mundo que já não existia.  Os finais de 60 e sobretudo os anos 70 demonstraram-no com limpidez.

publicado por FNV às 16:59 | link do post | comentar