Domingo, 11.04.21

Burner phones and dollars bills:

Ora aqui temos:

Gan, who U.S. prosecutors said operated a tight ring with another Chinese money broker, was apprehended in November 2018 by Homeland Security Investigations agents at Los Angeles International Airport on his way to Mexico from Hong Kong. The U.S. government said that Gan had moved anywhere from $25 million to $65 million in illicit drug proceeds from 2016 to the time of his arrest, according to a September court filing by Gan’s attorneys.

 

E como é este dinheiro lavado?  300 milhões de euros e, sim, incluindo Portugal. Se é via vistos Gold ( imobiliário) ou de outra forma qualquer  não sei, mas nisto do narcotráfico Portugal tem sempre um lugar especial:

Having established an infrastructure to successfully launder significant amounts of money, the Chinese network also offered money laundering and international remittance services to other organised crime groups in exchange for the payment of a negotiated percentage of the laundered funds. The Chinese network had contacts in various EU Member States including Belgium, France, Italy, the Netherlands, Portugal and the United Kingdom. The group also operated several clothing factories in the vicinity of Madrid where Chinese labourers were exploited.

 

Pedir aos nossos media que se interessem por isto é pedir a lua, eu sei.

publicado por FNV às 19:23 | link do post | comentar

Uma fantasia de controlo

Um aspecto interessante na História ( moderna) das drogas, porventura  menos captado pelos não iniciados, é percurso paralelo da história do controlo com a do descontrolo, percurso esse visível ( mas não iniciado)  a  partir da Single Convention de 1961.

 

O Opium  Protocol de 1953 foi o corolário do poder norte-americano sob a batuta do FBN de  Aslinger. Simplificando, mesmo com duas guerras pelo meio desde o Tratado de Haia de 1912, os americanos conseguiram um acordo sobre a regulamentação. Charles Vaille, antigo partisan anti-nazi, farmacêutico,  chefe informal do CND ( Comission on Narcotic Drugs)  da ONU conseguiu o controlo da quantidade de ópio produzido, consumido e armazenado   nos vários Estados signatários. Conseguiu também  a autoridade para fazer inspecções e decretar embargos.  A estabilidade dos preços foi a consequência natural do ilusório monopólio. Aslinger , por sua vez, obteve a ( também ilusória, claro) exclusividade da produção e comércio de ópio apenas para fins medicinais  e científicos.

Como seria de esperar, muitos do Estados produtores, signatários do acordo ou não, furaram os limites de produção e armazenamento e com ganhos consideráveis. A Turquia e o sudeste asiático ( Vietname, laos, Burma e Tailândia) marimbaram-se para regulamentação. Estes últimos , na década seguinte , encarregaram-se, como sabemos,  de provar a inutilidade do protocolo. Também de fora ficaram de fora os produtores sul-americanos de coca, totalmente desprezados pelos teóricos;  anos mais tarde , à sua maneira, e aplicando algumas das filosofias de controlo de preços e regras de produção, também  estlihaçaram os projectos  de Vaille e Aslinger.

 

Em1961 a Single Convention foi uma fantasia... real. Ou seja, o aperfeiçoamento do controlo internacional dos narcóticos, possível  nas condições geopolíticas do pós II Guerra ( mesmo com muitos buracos) e motorizado em 1953, culminou na reunião de Nova Iorque. Culminou é o termo exacto. Foi um documento assinado para um mundo que já não existia.  Os finais de 60 e sobretudo os anos 70 demonstraram-no com limpidez.

publicado por FNV às 16:59 | link do post | comentar
Sábado, 10.04.21

Make control, not war

As drogas existem porque nascemos com neuroreceptores para as disfrutar ( já dei muitos exemplos aqui no blogue), porque muita gente as deseja e porque sabemos plantar sintetizar, transportar e negociar. A war on drugs tem o mesmo significado do que a guerra ao presunto.

 

Sangin, Helmand ( ou Hilmand) , Afeganistão, 2005. Programa de erradicação da papoila. O presidente Karzai tinha prometido  aos embaixadores americano e inglês  a destruição  de 80 % do  cultivo na região de Helmand.

Joel Hafvenstein percorre a zona, protegido pelo walaswal local. Polícias em uniforme azul  com AK47  asseguram o trabalho dos tractores. Os camponeses assistem, impotentes, ao crescimento das suas dívidas e da sua miséria. Joel recorda os acontecimentos de  2000 quando  os Taliban conseguiram zero ópio  em Helmand. Foi bonito, mas o Mullah Omar o que conseguiu foi  aumentar de novo o preço ( estava em queda)  e enriquecer os taliban que tinham ópio em stock. A ideia americana era fazer o mesmo que na Colômbia.

 

O famoso Plan Colombia,  lançado por Clinton em 2000, e que será aqui discutido com detalhe noutra ocasião, injectou 7, 5 biliões de dólares para fumigar  a produção de coca. Mesmo que avaliação  fosse positiva em 2005 ( era muito cedo e hoje ainda é altamente controversa) , é estupidificante a igorância americana  em querer transplantar a ideia para o Afeganistão. Tal como os vírus ( tão discutidos agora) , também estas ditas pragas dependem de variáveis... antropogénicas, digamos assim.  Mais não fosse, a estrutura social no Helmand, totalmente submetida ao aparelho religioso, deveria ter feito os responsáveis americanos pensar duas vezes. Acresce, é óbvio, um monte de diferenças geográficas, históricas e  políticas  e, sobretudo, ser uma zona de guerra real ( não apenas de cartéis).

Doze anos depois da viagem de Joel Hafvenstein: Hilmand remained the country’s leading opium poppy cultivating province, followed by Kandahar, Uruzgan,2and Nangarhar.

 

 

 

 

 

 

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Quarta-feira, 24.03.21

O melão de Almeirim

 

Operação Vangelis, Agosto do ano passado:

During the campaign, the Spanish investigators carried out 24 search warrants and found 2 690 cannabis plants with a street value of over €3 million. A total of 36 properties and 50 vehicles, valued at over €8 million, as well as close to €200 000 in cash were seized. A further €370 000 have been blocked on the criminals’ bank accounts.

69 Spanish nationals and 6 Polish nationals have been brought to justice to answer to drugs trafficking and money laundering charges.

2 690 pés de canabis... parece imponente, não parece? Ora vejam esta em Portugal:

 

A GNR de Santarém, através do Porto Territorial de Almeirim, apreendeu esta segunda-feira 23 mil pés de canábis, naquela que poderá ser a maior apreensão alguma vez feita em Portugal e uma das maiores na Europa.

O que é que está errado aqui? Continuemos na notícia:

Um homem de 35 anos foi detido e um outro, de 50, constituído arguido no passado dia 1 de setembro.

No decorrer das diligências policiais, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em duas empresas detentoras de terrenos agrícolas e estufas.

Além das plantas de canábis, foram também apreendidos 17 sacos de canábis com 91 quilogramas, oito recipientes com material de cultivo e fertilizantes, dois rolos de rede plástica para secagem de plantas, um telemóvel, um computador portátil, um atomizador mecânico para aplicar produtos com finalidade farmacêutica, um conjunto de rega e um distribuidor de adubos.

 

Na operação Vangelis , com um décimo da quantidade de canabis da apanhada em Alemierim,,  foram apreendidos 8 milhões de bens   e 75 pessoas foram detidas. Na terra do bom melão  foram presas  duas pessoas, um regador de adubo e dois rolos de rede.

A extraordinária apreensão de  Alemirim ( 14 ton) teve  honras mediáticas? As habituais: no próprio dia do comunicado da GNR todos repetiram o mesmo . Ora bem, passados seis meses, o que encontramos sobre  jornalismo de investigação acerca desta extraordinaria apreensão de canabis? Nada. Exacto, leram  bem: nada.  Nunca nenhum jornalista quis saber quem, e como, montou o esquema.

Claro que esta apreensão recorde esteve  com toda a certeza ligada à aparente confusão legal sobre o cultivo de canabis para fins medicinais ou

recreativos à espera de autorização. Ainda assim é notável como nenhum jornalista se interessou por tão espectacular acontecimento. É que fazem o mesmo com outras apreensões recorde de, por exemplo, cocaína: reprodução do comunicado oficial e adeuzinho que tenho o jantar ao lume.

 

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Terça-feira, 23.03.21

Cocamemória

É necessária a memória para todas as operações da razão, avisava Pascal. As pessoas tendem a esquecer-se do início das coisas. A cocaína não foi sempre a rainha das séries da Netflix  nem os reis os cartéis mexicanos:

 

No chaparro boliviano e no Alto Hualaga, finais de 60, a coca , comum entre 500 e 2000m de altitude, estava à espera de resolver a vida de muita gente: camponeses, cocaleros, traficantes, generais e políticos. No início dos anos 70, a  moda americana, ou seja, a procura, fez desta plantita, que adulta ao fim de 5 anos produz entre 400 a 1200 kg de folhas por hectare, a única razão de ser naqueles vales e planaltos.

Fernando Belaúnde,  arquitecto, foi eleito presidente do Peru em 1963. Tinha um sonho, o de construir uma estrada marginal a La Selva ( ± 450 km a nordestes de Lima): a conquista do Peru pelos peruanos. Pois terá sido, mas também foi uma magnífica infraestrutura para os narcos colombianos nos anos seguintes. Roberto Suarez Gomez foi um dos primeiros, na Bolívia ( o outro lado do planalto andino) a perceber  o esquema. Fundador de La Corporacion ( o cartel de Santa Ana), envia a coca para a Colômbia;  já adivinharam para quem, claro: Escobar. Para terem uma ideia, as plantações de coca no Peru, por ex, antes de 1980 não excediam os 10.000 ha; dez anos mais tarde rondavam entre 100.00 a 200.000. No Alto Hualaga só 5% da população passou a viver do chá, café e óleo de palma. O resto eram cocaleros.

 

Em 1981, na Bolívia o ministro da educação  era o general Ariel Coca. Parece mentira, mas é verdade. Outros militares ( Salomon e Etcheverria) estavam tambem  no payroll do cartel de Santa Ana. O golpe foi a 17 de Julho de 1980, patrocinado  por Roberto Suarez Gomes e pela ditadura  argentina. As coisas melhoraram depois, mas no entretanto os narcobolivianos estabeleceram-se. Passariam  mais tarde   a fornecedores dos narcos colombianos. A bola muda de mão muitas vezes mas é sempre redonda. Em 1989, o narco sector  já representava um quarto do PIB boliviano.

 

 

 

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Sábado, 20.03.21

Cegos, surdos e mudos

Uma boa análise, detalhada e curiosa sobre o assunto:

Soon, a name emerged: the Grande Nigeria, another ship from the Grimaldi company. She also departed from Paranagua with a cargo of Renault Kwids, destined for the same Angolan company as those in the Grande Africa. The Grande Nigeria was still at sea, scheduled to arrive in Dakar on 29 June.

Em quatro dias, uma tonelada de cocaína foi apreendida, em Junho de 2017,  em Dakar. Companhia italiana, ligaçoes franco-senegalesas, origem andina, despachante brasileiro, etapa intermédia em Luanda, destino final algures na Europa.

Em Portugal 800 kg é pura  rotina. Viram ou ouviram os comentadores profissionais falar disto? Os líderes partidários ou o presidente da República proclamarem a sua extrema angústia? Claro que não. Esta semana:

A Polícia Judiciária apreendeu cerca de 806 quilos de cocaína que vinha escondida em isoladores sísmicos, um método até agora desconhecido pelas autoridades.

Também em  Junho, mas deste ano, a PJ apreendeu mais do dobro  da quantidade caçada em Dakar: 2,3 toneladas. Se pesquisarem na net encontram peças de vários jornais, todas do mesmo dia,  todas iguais a esta. Parece um telegrama, curto e grosso. Em lado nenhum encontram uma peça, feita uns meses mais tarde,  como a que cito sobre a apreensão de Dakar.

 

Ou seja,  os media  e os políticos não se interessam em saber quem são os contactos destes importadores, como e  a quem é pago o frete, que tipo de estruturas estão montadas em Portugal  para suportar este carrossel, se além das toneladas de  coca também estamos a lavar toneladas de dinheiro do narcotráfico, qual o nível de corrupção atingido etc. 

 

 

 

 

 

 

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Sexta-feira, 19.03.21

Portugal só tem um barão da droga e velho

A notícia é fresca de ontem: O Tribunal da Relação de Lisboa rejeitou na quinta-feira um recurso interposto pelo arguido e alegado narcotraficante Franklim Lobo contra a medida de prisão preventiva que lhe foi aplicada em junho de 2020 pelo juiz de instrução.

Se pesquisarem narcotraficantes + Portugal só encontram Franklim Lobo. Gosto bastante desta: Franklim Lobo põe Estado português em tribunal. Veremos como corre. Outra peça sintetiza o sumo do caso:

Foi o único dos 27 arguidos que falou esta terça-feira em tribunal, mas ninguém lhe viu a cara. As ameaças de morte a si e à sua família empurraram-no para um programa de proteção de testemunhas que lhe permitiu não comparecer no Campus de Justiça, em Lisboa, onde está a ser julgado com dois ex-coordenadores da Polícia Judiciária, um militar da GNR e vários suspeitos ligados ao tráfico de droga internacional.

A Operação Aquiles apanhou duas trutas da PJ. Dias Santos  foi coordenador  de investigação criminal, no combate ao tráfico de estupefacientes da Polícia Judiciária., Ricardo  Macedo foi inspetor-chefe da Direção Central de Combate ao Tráfico de Estupefacientes. Isto deveria ter feito soar todos os alarmes, do forte da Ínsua em Caminha  ao promontório de Sagres, mas não: tudo normal, just another day at the office.

 

Como é possível que um país que é hoje um reconhecido narcoentreposto só apresente um nome, e velho, de um narcotraficante de primeira linha?

 

Por outro lado:

O mercado  europeu de drogas valia, em 2017, cerca de 30  biliões de dólares ( por baixo...), a canabis e a cocaína representando 70% deste valor. Cabo Verde é hoje um dos principais pontos de passagem da cocaína via Brasil e com apoio da mafia russa. É,  também, um local de eleição para lavagem de dinheiro da droga:

Cabo Verde concluded its National Assessment (NRA) in early November 2017. The NRA reflects the main money launderingand terrorist financing (ML/TF) risksthe country is facing and identified the main vulnerabilities related to ML/TF.Despite the significant efforts made in the identification and shared understanding of risks by all stakeholders at the national level, the methodology and approach adopted for the assessment of certain sectors, notably Designated Non-Financial Businesses and Professions (DNFBPs), especially real estate, dealers in precious metals and stones and other high value good, and non-profit organisations (NPOs),is inadequate.

Ora digam-me cá: quantas reportagens de investigação ( rotas, financiamentos, imobiliário, contas etc) feitas em Portugal  leram vossas mercês sobre estas ligações luso-caboverdianas?

 

 

 

 

 

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Quarta-feira, 17.03.21

Narco-antepassados

A costa do Coromandel, e não o porto de Coromandel que nunca existiu,  compreende a orla marítima do Tamilnadu e Andra Pradesh numa extensão de mais de setecentos quilómetros A VOC Verenigde Oost-Indische Compagnie ou Companhia das Índias Orientais é fundada em 1602 com um capital inicial de seis milhões de florins.  Seis anos antes já a frota de Van Houtman ( houve um holandês a jogar com esse nome, Peter Houtman,  no Sporting), em nome da Compagnie van Verre ( Companhia das Terras Longínquas )  atingira Java  e Samatra. Em 1598 o retorno das especiaiias gerara um lucro de 400%.  A VOC surge como uma forma de agregar as empreitadas, não deixar baixar os preços e detendo o monopólio do comércio com o Ocidente por um período de vinte e um anos.  Isto vai atingir, mais tarde,  a influência portuguesa no Coromandel.

A partir da Formosa ( Taiwan), os holandeses começam a adicionar ópio ao tabaco talvez como forma de combater as febres endémicas. Também em Java há relatos da mistura, a origem exacta é incerta.  É o início de uma bela história da disseminação do ópio, história essa confirmada pelos ingleses e outra companhia, a célebre  Companhia  das Índias Orientais da Coroa Inglesa.  Em finais do século XVII a Companhia está apertada. As lãs inglesas não se vendem na Índia , mas a seda e algodão indianos  tinham muita procura em Inglaterra. A balança comercial Europa-Ásia inclina-se a favor da segunda.

No século seguinte, o chá, outro produto  da Companhia, sofre  com a mercadoria de contrabando. O ópio vem salvar a face britânica.  A 24 de Agosto de 1690, um homem da companhia, Job Charnock, estabelece uma feitoria em Sutatuni. Mais tarde agrega  Gobindapur e Kalikata. A união das três ficou conhecida pelo nome da ultima, Calcutá.  Várias lutas contra os senhores locais, sobretudo  Siraj Ud Daulah, neto de Alivardi Khan, Nawab ( nababo) de Bengala, que  trava e vence a batalha de Fort William em 20  de Junho de 1756. O  almirante Watson recaptura a cidade a 2 janeiro de 1757 e a batalha de  Plassey, a 23 de Junho desse ano, põe o ponto  final. A companhia torna-se  dona de Bengala, taxa todas as transacções comercias ( inclusive as exercidas pelos  próprios bengaleses). Os anos passam e o chá e o algodão não convencem o grande e novo  mercado chinês. Será o ópio, já no início do seculo XVII, o salvador da Companhia. Tanto assim que em seu nome, no século seguinte, se travarão as famosas Guerras do Ópio: o direito dos ingleses ( e outros europeus) a inundar a China de várias coisas, sobretudo...ópio.

Lá mais para frente detalharei, mas para já fiquemos assim: apropriação manu militari da geografia, estabelecimento das plazas ( de produção e venda) , controlo dos preços. Sei que a propaganda pinta colombianos e mexicanos como pioneiros do narcotráfico, mas, meus caros, o que leram ( com bondade...) é a pré-história dos narcos.

 

publicado por FNV às 23:28 | link do post | comentar

A construção de um narco-estado

Em 1995 escreviam V. Ruggiero e N. South sobre a coincidência do aumento de consumo de cocaína na Europa com a escalada do VIH/SIDA e faziam uma previsão: os cartéis e as cross-border multinational enterprisis vêem a Europa como uma enorme mercado continetal e não como países separados.

Daurius Figueira, um curiosíssimo autor tobaguenho ( que eu saiba o único tipo que publicou sobre um golpe islâmico em Trinidad e Tobago), teórico pós-colonial e da geopolítica das drogas, traça uma comparação entre a abordagem do narcotráfico nas Caraíbas e na Guiné-Bissau:

- Subdesenvolvimento

- Oligarquias predadoras prontas para a corrupção e vassalagem aos cartéis

- Posição geográfica: pontos de partida para os mercados a norte

- Fronteiros a países mais desenvolvidos que servem de quartel-general aos cartéis

 

Já aqui mencionei o caso guineense ( Bubo Na Tchito, Camara e outros generais) , só reforço outro ponto clássico da apropriação de um estado pelo narcotráfico: o desejo de alguma estabilidade. Na Tchito foi um dos vencedores do golpe de 2008 , um dos garantes da tal narco-estabilidade.

Portugal não é a Guiné, mas veremos como existem pontos de contacto.Um facto é indesmentível:

 

Artur Vaz spoke to journalists on the sidelines of the opening session of the Seminar on Cross-border Drug Trafficking – Caravela Project, held at the headquarters of the Polícia Judiciária (PJ), in Lisbon, with the presence of the Attorney General, Lucília Gago, the national director of the PJ, Luís Neves, and the director of the department of drug combat of the Federal Police of Brazil, Elvis Secco, among others.


According to Artur Vaz, Portugal, the countries geographical position and the existence of special relations with Latin American countries, namely Brazil, leads international criminal organisations to paralyse many of the transport structures with large quantities of cocaine between the two continents across the Portuguese maritime and air borders.

 

 

 

 

publicado por FNV às 09:46 | link do post | comentar
Terça-feira, 16.03.21

As mulas da cooperativa

Mais umas andanças neste arquivo. É notável o conformismo da sociedade portuguesa diante do Narcos-Portugal, a nova série da Netflix:

 

"A investigação começou em fevereiro do ano passado, quando a polícia espanhola teve conhecimento da existência de uma poderosa organização de traficantes de droga que, embora estivesse instalada em Huelva, Sevilha e Cádis (Andaluzia), tinham deslocado a sua logística para o sul de Portugal para evitar a pressão da Guarda Civil sobre as costas desta comunidade autónoma espanhola ( https://www.sabado.pt/ultima-hora/detalhe/policia-espanhola-desmantela-rede-de-droga-que-usava-marina-de-lagos-como-base-logistica )".

 

Como tenho dito no twitter, a própria peça da Sábado é um exemplo da anomia, estranha anomia , instalada. São reportados os factos, mencionados um par de detalhes e pronto. As operações policiais sucedem-se, as quantidades aumentam, o dinheiro envolvido idem, mas tudo parece esgotar-se no relato de cabo de esquadra.

Em Espanha tentam ir um bocadinho mais além:

 

"El oro es un valor seguro, así que era una forma segura de invertir el dinero obtenido ilícitamente”, cuenta el policía. Según los investigadores había sido comprado legalmente en Estados Unidos y México. Su peso total alcanzaba los 17 kilos y su valor superaba el millón de euros. Además, se han inmovilizado siete cuentas bancarias con más de 400.000 euros, 600.000 acciones de empresas en el extranjero ( https://elpais.com/espana/2020-05-08/la-organizacion-de-narcos-que-convertia-el-hachis-en-oro-plata-y-diamantes.html )".

 

No tabaco, uma porta de acesso a mercancias mais aveludadas, Portugal também é notificado:

 

"Al parecer, se están utilizando redes e infraestructuras" de "distintos países de la Unión Europea (como Portugal y Grecia) y extracomunitarios (como Estados Unidos, Emiratos Árabes y China)", prosigue el auto. Según la investigación, los contenedores eran "transportados por vía marítima hasta los puertos de Barcelona, Valencia y Sines (Portugal), a veces de forma directa desde su lugar de origen y otras, a través de vías intermedias ( https://elpais.com/politica/2019/10/30/actualidad/1572431651_787887.html )".

 

Este caso envolve um personagem real mas com direitos televisivos na série Farina, uma espécie de Narcos- Galiza: Barral Martinez, autarca do PP durante 18 anos. Tomaram boa nota de alguma referência por cá à nossa valorosa participação no affaire?

O meu ponto: como é possível sermos hoje  as mulas do narcotráfico europeu sem que haja investigação ao rasto do dinheiro, às conexões políticas, empresariais e até judiciais?

Será sobre  sobre isto o regresso a este pequeno arquivo.

 

 

 

 

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