Não há cartéis...agora ( III)

Este ciclo começa com a fumigação com paraquat, ou Gramoxone no seu nome científico 1,1'-dimetil-4,4'-bipiridina-dicloreto .
México. Nos três anos seguintes ao início ( 1975) da Operação Condor ( tem o mesmo nome da sinistra sul-americana e tem coisas em comum), 39 helicópteros Bell ( 206 e 212) e 22 aviões ligeiros foram usados em reconhecimento e fumigação. Entre dez a doze mil campos de marijuana e papoila foram atingidos. Em Julho de 2000 ainda decorriam accções de fumigação em Chihuahua. A imprensa mexicana relatou inúmeros problemas de saúde pública incluindo morte de crianças. Por ironia, anos mais tarde o uso de pequenos aviões foi popularizado pelos traficantes: se dá para destruir, dá para transportar. Sempre a aprender.
A história vem de trás com a Operação Intercept lançada por Nixon em Setembro de 1969. Ao longo dos 2.000 km de fronteira todos ( enfim...) era revistados. O alvo: a perigosa marijuana. A administração Díaz-Ordaz, assustada com as consequências na economia da fronteira, resolveu juntar-se à festa e organizou a sua própria operação: Canador ( acrónimo de canabis adormidera). E chegamos à prá-história dos famosos cartéis mexicanos: Alta e Baixa Sinaloa.
Dos anos 40 até à operação Condor, Sinaloa fornecia ópio e marijuana aos EUA. O ópio foi essencial à produção de morfina durante a Segunda Guerra Mundial, a marijuana imprescindível à famosa contra-cultura dos anos 60. Uma elite agro-industrial, um estado longe do governo central, governadores corruptos :Valenzuela, Velasquez e depois Celis ( 63-68).
Muito bem explicado:
La construcción de las redes de parentesco, vecinales y comerciales, expresadas a manera de clanes, es también un acto racional, así fue posible mantener vigente el narcotráfico y consolidarse en la región, mismo que a través de la siembra, comercio y tráfico de opio y mariguana se convirtió en una práctica cotidiana para los habitantes serranos, lo cual propició el fortalecimiento de una identidad en torno al oficio y con ello la formación de clanes motivados por intereses comunes.
Se trata de un acto racional, puesto que los reglamentos o códigos construidos por los integrantes de las redes apuestan a una identificación con el terruño, es por eso que entre relaciones vecinales y de parentesco
existe también la necesidad de que prevalezca el negocio de la droga, ante la idea de que son los lazos de sangre vinculados con el lugar de origen los que afianzan, a su vez, los intereses comerciales.
Em Sinaloa, Chihuahua e Durango, meados dos anos 70, o tráfico era gerido pelas famílias Favela, Macías, Herrera, Valenzuela, Quintero, Romero e Sicilia Falcón e em menor grau pelas Leyva, Aispuro,
Alvarado, Jasso e Hernández ( "12 clanes Mexicanos en el tráfico de heroína,” Proceso, Junho 25, 1977). Dez anos depois não existiam.
Alberto Sicilia Falcón, quando foi detido, afirmou trabalhar para a CIA. Era cubano e explicou ter estado envolvido no fornecimento de armas para a guerrilha anti- Castro em troca de liberdade de movimentos na sua base narco em Tijuana. Verdade ou não, o certo é que um seu associado era José Egozi Béjar, operacional treinado pela CIA e veterano da Baía dos Porcos na Brigada 2506.
A operação Condor dinamitou a estrutura de cultivo de marijuana e ópio ( esta em menor escala), moveu o tráfico para Jalisco e Guadalajara e criou as bases dos cartéis mexicanos que todos conhecem da televisão e do cinema. Não foi uma criação dos imperialistas americanos, como querem os fanáticos mexicanos que depois reduzem os compatriotas a bonecos, mas foi consequência da política norte-americana. Nada de novo de resto como escrevi há uns anos.
No próximo, e último, número desta série, veremos a instalação dos cartéis e por que motivo digo que hoje em dia já não existem.

