A invasão

Aqui podem ver  ( a meio do artigo) uma simulação 3D de como um contentor de cocaína ( ou de pasta base) é organizado para envio:

interact with the 3D visualization below to learn some of the ways traffickers use shipping containers to conceal cocaine.

Nada disto é possível sem ( bold meu) :

Both Mexican cartels and EU-based drug trafficking networks corrupt officials in the public and private
sectors to increase the likelihood of successfully smuggling drug consignments through transportation hubs in both Latin America and the EU.

 

É irresistível fazer uma comparação com outras épocas da narcohistória. Não me interesa tanto a pequena corrupção de agentes alfandegários, estivadores, policias etc. O artigo da Europol dá a pista para outras caçadas e este relatório do UNDOC idem:

Governments must also make sure that drug trafficking does not pay, by targeting the financial arrangements which enable criminal organizations to reap the profits of their activities, in order to take away from the monetary gain which motivates trafficking activity and to prevent the
infiltration of these arrangements into the legal economy.

 

A comparação implica sair dos estereótipos cinematográficos dos narcos: bandidos  semianalfabetos bigodudos em casa com piscinas e señoritas muy chulas. Já houve avanços na Netflix mas ainda assim o rótulo continua a funcionar. A percepção que as pessoas têm é a de que os narcodólares estão apenas ligados a outros negócios ilícitos ( armas por ex) ou à corrupção do político local. Em 2008 os lucros do tráfico de droga inhectaram 356 bilões de dólares nos bancos em crise.

Na Europa, sobretudo na zona Euro,  a narcoeconomia já não se limita aos processos de importação e distribuição. A última avaliação apontava para um mercado de 10, 5 biliões de dólares. Como é óbvio, os lucros deste mercado não são amontoados em garagens. Bancos, construção, indústria, tudo recebe narcoinvestimento. Pensar que isto é possível sem a caução, ao mais alto nível, do poder regulatório, judicial e político é de uma ingenuidade desarmante.

A comparação do impacto nas sociedades europeias com o que houve nas sul-americanas e no México deixa-nos com uma sensação ligeiramente desconfortável.

 

publicado por FNV às 10:32 | link do post | comentar | ver comentários (1)