Quinta-feira, 21.06.12

A história afegã, Parte I: os antecedentes iranianos.

Os EUA exibem o maior recorde de asneiras em sede de  política de drogas. Como têm sido eles, desde o início do século passado , a liderar as referidas políticas, a conclusão é estelífera.

Já aqui falei , a propósito de Khun Sa, da forma desmiolada como os EUA se intrometeram  no antigo Triângulo Dourado: a política da DEA e da Casa Branca foi a de estilhaçar a zona, provocando o aparecimento de centenas de focos de produção e dezenas de senhores da guerra,  que se transformaram em senhores do ópio. Avançando  até aos anos 80,  a verdade é que nada chega aos calcanhares da asneira afegã: ao mesmo tempo que que declaravam a war on the drugs , os americanos  criavam o mais pujante e concentrado  território produtor de ópio até hoje existente: o Afeganistão.  A razão  foi simples: a covert war contra a URSS.

Em 1947, o Afeganistão e o Paquistão eram insignificantes produtores de ópio. Nos anos anteriores, Os ingleses tinham controlado a proução na fronteira norte do Pqquistão mas não proibiram o consumo.  Via Jalalabad, o ópio afegão, produzido no vale  de Herat e em Kandahar,  chegava para as encomendas. Naqule zona, o problema era o Irão, enquanto  produtor e consumidor. Um pouco mais afastada, a Turquia era outro problema, mas apenas enquanto produtora.

Em 1949, o U.S. Bureau of Narcotics abre um escritório em Teerão. Garland Williams, o chefe de missão, descobre  uma população adicta de 1,3 milhões.  Um em cada  nove adultos era drogado e existiam , só na capital, 500 dens. O shah impõe então uma restrição  e o exército erradica  o cultivo da papoila. Boa ideia. O  número de dependentes desce  brutalmente  para cerca de 350.000 almas  que consumiam  240 toneladas de ópio afegão  e turco.Acontece que 350.000 drogados  era muito drogado, até porque  o número real  era superior ao da propaganda e balança comercial  estava inclinada para Kabul. O shah tem então outra ideia: permitir o cultivo da papoila para produzir  heroína destinada a utilizadores registados. Os EUA desesperam:  distribuição controlada é tabu em Washington. O shah não recua, tanto assim que  retoma, em 1969, o cultivo próprio. O motivo : "Baniremos a produção de ópio quando os nosso vizinhos o fizerem".

O Irão, o Afeganistão e o Paquistão funcionavam, naquela altura , na forma que os especialistas designam por self-contained opium trade. Traduzindo por miúdos, diz-se de uma zona que não excede  a produção de forma severa, não exporta significativamente para outras áeras do globo e  mantém estável o número de consumidores. A covert war da CIA  contra os soviéticos haveria de estilhaçar este precário equlíbrio.

 

Este pedacinho  de História recorda dois  eixos fundamentais da política de drogas:

a) uma atitude musculada funciona sempre num primeiro momento,

b) a médio e longo prazo, nada funciona em separado.

 

 

bibliografia: Mc Coy, 2003, e o próprio Kissinger, como podem ver aqui nesta troca de telegramas.

publicado por FNV às 22:47 | link do post | comentar

A mentira portuguesa

Isto é  a regra , não é a excepção. Quando digo regra, refiro-me à forma como as drogas , que os  proibicionistas  e  os fanáticos ( são coisas diferentes)  garantiam não existir nas cadeias quando o primeiro governo de Sócrates tentou ( sem muita convicção, diga-se) estabelecer programas de redução de riscos lá dentro, entram nas prisões. A regra não é , obviamente, a existência de funcionários traficantes. Como podem ler , basta um:

 

"But the most significant sources of drugs, many prisoners claim, are wayward staff members, or “bent screws.” “You just need one corrupt officer,” said one inmate, “for the whole wing to have drugs".

publicado por FNV às 11:12 | link do post | comentar

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